LIGAÇÃO AFETIVA E A DEPRESSÃO PÓS-PARTO

PÓS-PARTO

As pessoas podem ter uma ligação afetiva ou relacionamentos, que ocorrem de várias formas, como por exemplo, a relação entre mãe e filhos, amizade, família, profissional e etc. Essa ligação pode acontecer, de várias formas.

Em geral, as pessoas se unem, porque tem os mesmos objetivos ou interesses ou também por serem ou agirem de formas opostas umas as outras.

Portanto, todo tipo de relacionamento envolve atitudes e comunicação entre as pessoas, essa relação de diálogo ocorre por causa da reciprocidade, e principalmente, quando a pessoa está saudável.

Ligação afetiva

A ligação afetiva é o vínculo que uma pessoa tem com outro indivíduo e a primeira relação afetiva que ocorre é entre a mãe e o seu bebê.

A natureza do relacionamento dos pais com o bebê é definida pelo mundo mental imaginário e subjetivo, durante as representações. A mãe imagina o seu bebê nos seus braços antes mesmo dele nascer. Isso é produzido na sua mente, a partir dos seus desejos, fantasias, sonhos projetados desde a fase quando ela era criança e brincava com bonecas.

Considerando que a gravidez é um evento complexo na vida de uma mulher, e que o contexto cultural, emocional, econômico e social influencia direta e totalmente a forma como a mulher vivenciará a sua vida.

Gravidez

A gravidez faz com que a mulher viva uma readaptação dos mecanismos corporais como também a uma readaptação psicológica, pois o seu sonho de ser mãe faz com que os nove meses de gestação transforme as relações dessa mulher, de forma brutal, propiciando um certo tipo de egoísmo para com o outro.

Portanto, até chegar o parto os cuidados perinatais hospitalares influenciam toda relação com os seus, colocando todas as relações em cheque.

Desse modo, depois do nascimento, a mãe vai conhecendo o seu bebê à medida que os cuidados com o bebê vão acontecendo. Assim, o relacionamento entre eles é adquirido de diferentes maneiras e de forma extremamente individualizada.

Entretanto, ao longo do percurso a mãe percorre uma ligação afetiva sólida com seu filho.

Sendo assim, a sua relação com o seu bebê repercute uma forma significativa no relacionamento entre eles.

Mas, várias coisas acontecem com essa mulher ao dar à luz, dar à vida ao seu filho. Ou seja, uma dessas coisas pode ser a depressão pós-parto.

Fatores de risco

Existem alguns fatores de risco que podem aumentar a chance de ter depressão pós-parto, são eles: falta de apoio da família, amigos, estresse, falta de planejamento da gravidez, depressão já diagnosticada anteriormente e histórico de transtornos mentais na família.

O nascimento de um bebê, especialmente se tratando do primeiro filho, tem sido considerado como episódios propício, ao surgimento de problemas emocionais nos pais, como por exemplo, a depressão pós-parto e as manifestações psicossomáticas.

Por consequência, a depressão pode ser associada ao nascimento do bebê e refere-se a um conjunto de sintomas que geralmente iniciam entre a quarta e a oitava semana após o parto, atingindo cerca de 10 a 15% das mulheres.

Porém, as alterações de humor causadas durante o período pós-parto têm um amplo espectro relacionado à gravidade e o comprometimento do indivíduo, como, por exemplo: o baby blues ou tristeza materna, a depressão pós-parto e a psicose pós-parto.

Baby blues ou disforia puerperal

O baby blues ou disforia puerperal é uma labilidade emocional, que ocorre devido a vários fatores hormonais onde o organismo da mulher está se reorganizando para voltar ao seu estado normal, quando a mãe chega em casa com o seu bebê, os palpites e a pressão social surgem e abalam o emocional dela, dificultando o processo de amamentação e do sono, gerando um estresse extraordinário para essa mãe.

Uma vez que, o baby blues conhecido como tristeza materna, faz parte do quadro transitório que não se configura como transtorno. Mas, acomete cerca de 50% a 85% das mães até dez dias após o parto. É caracterizado por um quadro de ansiedade, choro frequente, dependência, disforia, irritabilidade e melancolia.

Há hipóteses de que esse quadro seja desencadeado por causa da intensa mudança dos níveis hormonais característicos do pós-parto, associada ao estresse do parto e às novas obrigações vindas com a maternidade.

Sintomas

Esses sintomas se apresentam através da necessidade de afastar-se de pessoas queridas. Manifestando:

  • Acesso de raiva;
  • Alterações de humor severas;
  • Anedonia (perda de prazer em fazer atividades diárias);
  • Ansiedade severa, ataques de pânico;
  • Cansaço;
  • Comer muito mais do que o normal;
  • Choro frequente e excessivo;
  • Desinteresse sexual,
  • Dificuldade de criar laços com seu bebê;
  • Dificuldade em se concentrar e diminuição da concentração;
  • Fadiga e perda de energia extremas;
  • Inadequação;
  • Inquietação;
  • Insegurança;
  • Insônia ou excesso de sono;
  • Inutilidade;
  • Irritabilidade;
  • Medo de não ser uma boa mãe;
  • Pouco interesse e prazer em atividades que costumava apreciar;
  • Pensamentos que envolvam vontade de se ferir ou ferir o bebê;
  • Pensamentos recorrentes sobre morte ou suicídio;
  • Perda de apetite;
  • Pessimismo;
  • Problemas com a alimentação (falta de apetite ou excesso de fome);
  • Sente-se desmotivada;
  • Sentimento de culpa inapropriada; desamparo; desvalia;
  • Sentir que não dá conta dos afazeres diários;
  • Sentir-se deprimida;
  • Tristeza;
  • Visão negativa da vida, as coisas parecem “não ter saída ou solução” e
  • Vergonha de si mesma, por exemplo.

Em casos graves apresenta quadros de alucinações, delírios e pensamentos suicidas.

Além disso, manifesta a falta de vontade de cuidar do bebê ou apresenta cuidado excessivo, como também externaliza e muitas vezes guarda para si mesma a sensação de ser incapaz de cuidar do seu bebê e de lidar com as situações que estão surgindo, apresentando características de transtornos alimentares, transtorno do sono, e diversas queixas psicossomáticas.

Causas

As causas e os fatores de risco da depressão pós-parto, ainda não são claras para a ciência, mas provavelmente ela se desencadeia por uma combinação de fatores emocionais e físicos, provocadas pelas mudanças hormonais, por exemplo, como o estrogênio e a progesterona, após o nascimento do bebê.

Além disso, o nível de outros hormônios produzidos por sua glândula tireoide também pode diminuir, proporcionando o cansaço, desanimo e a sensação de estar deprimida.

O medo de ser preterida pelo seu parceiro, também desencadeia vários sentimentos negativos, junto com a privação do sono e os cuidados do recém-nascido são fatores que dificultam o descanso tão necessário da nova mamãe. Esse déficit do sono pode se acumular e levar ao desconforto físico e à exaustão, que podem desencadear sintomas de depressão pós-parto e psicose.

Os problemas emocionais no período dessas mudanças na vida de uma mulher, propiciam desequilíbrio e faz com que muitas delas sintam-se ansiosas, menos atraentes e sufocadas. Desta forma, sentem dificuldades em lembrar de sua identidade antes de ser mãe, e sentir que perderam o controle sobre sua própria vida, agem como se tivessem perdido a sua identidade.

Tratamento para a depressão pós-parto

Procure o seu médico, faça um tratamento psicoterapêutico, para ver o que está acontecendo com você, pois o tratamento com a psicoterapia ajudará você adquirir o equilíbrio da sua autoestima, através do autoconhecimento e reconhecimento da sua identidade como pessoa.

Ao aceitar os seus sentimentos e procurar ajuda, entenda que você poderá controlar os sentimentos negativos e oferecer para o seu bebê cuidados de qualidade.

Nesse meio tempo, procure ajuda de um familiar que você sinta que goste de você e você dele, ou uma amiga ou uma babá para cuidar do bebê por algumas horas, para que você tenha a oportunidade de fazer psicoterapia, atividades relaxantes, caminhada, dormir por algumas horas, exercícios, massagem, meditações e etc.

Acredite que a depressão pós-parto não é culpa sua. Infelizmente e frequentemente, muitas mulheres sofrem desse mal e se sentem culpadas e envergonhadas por não saberem o motivo de se sentirem tão infelizes.

Algumas mulheres sofrem críticas e os seus sentimentos são desrespeitados por outras pessoas. Mas, nunca se esqueça que você é capaz de sair dessa condição em que se encontra, pois existe tratamento para esta doença e você não precisa enfrentá-la sozinha. O apoio existe e quando tudo isso passar, você certamente conseguirá curtir o seu bebê e a sua vida.

Cristı̊na Almeida

CRP: 06/49407

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Dra. Cristı̊na Almeida

CRP: 06/49407

Há mais de 30 anos atuo ativamente como psicóloga na área clínica, sou psicanalista, especialista em transtornos alimentares, coach e credenciada: