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Qual o seu “ismo”? A sociedade está repleta de ismos que nos separam: machismo, racismo, sexismo, etc. Muitos destes afetam diretamente, por exemplo, as mulheres.
Apesar da desconstrução constante que buscamos em nós mesmos, ainda temos alguns preconceitos enraizados em nós sendo culturalmente passados às próximas gerações.
E, ei: tá tudo bem.
O importante mesmo é sabermos quais as nossas falhas perante aos outros e buscar o aprendizado para romper com essa barreira.
O preconceito, de forma geral, é um grande medo do diferente.
E a mulher, por exemplo, se enquadra no diferente simplesmente por não ser homem.
Por séculos fomos bombardeados de informações errôneas sobre as diferentes etnias, sexos, orientações sexuais e mais.
De modo a engrandecer o padrão do homem branco de classe média, e desumanizar todo o restante da população.
Por muitos anos, e há quem diga que vivenciamos até os dias de hoje, mulheres foram marginalizadas da sociedade por serem consideradas seres inferiores.
Seus papéis se resumiam ao ato sexual e à maternidade: a mulher corrompida e a mulher pura.
Ambas sem valor, utilizadas somente para atender os desejos do homem: família e prazer.
Muitas cenas que poderiam ter sido enterradas séculos atrás ainda são vividas nos dias de hoje.
A violência contra a mulher
A violência contra a mulher não é só física, é também moral e emocional.
Uma mulher está sendo violentada quando o marido a proíbe de sair de casa.
Quando uma empresa não contrata uma mulher por estar em “idade reprodutiva”, com medo da licença maternidade.
Uma mulher é violentada quando duvidam de sua capacidade intelectual ao receber uma proposta melhor no trabalho, atrelando seu valor apenas a sua aparência.
Uma mulher é violentada quando um estranho olha para seu corpo como um pedaço de carne.
Acima de tudo, a violência acontece em todas as classes sociais, regiões e etnias, e está ligada puramente ao poder.
Um assédio sexual, por exemplo, pouco tem a ver com o desejo, e sim com a possibilidade de tomar aquele corpo e torná-lo indefeso.
Felizmente, o Senado Federal aprovou em março de 2021 um projeto de lei que estabelece multa para as empresas que pagam salários diferentes para mulheres que exercem a mesma função que os homens.
Esta proposta acrescenta um artigo à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) a fim de estabelecer uma penalização financeira para empresas que contribuem para a persistente desigualdade salarial presente no mercado de trabalho brasileiro entre os gêneros.
Sabemos que as mulheres conquistaram muitas coisas, mas o caminho ainda é longo e árduo para atingir a igualdade.
Pois ser mulher é enfrentar um desafio atrás do outro, todos os dias.
É superar barreiras invisíveis que muitos acreditam não ter importância.
Mas apenas as mulheres sabem qual caminho devem percorrer.
Feminismo e emancipação
O movimento feminista tem crescido ao longo dos anos e espalha sua mensagem de equidade pelo mundo.
Vemos uma conscientização crescente, com cada vez mais mulheres se unindo para combater a violência.
Assim como também vemos homens que não se identificam com o senso comum exclusivamente masculino e tóxico imposto, se posicionando à favor do movimento.
Apesar das medidas tomadas, que ainda ganharão maiores proporções com a vinda das próximas gerações, muito sofrimento ainda é gerado em torno desta discussão.
Por isso, é importante que as mulheres afetadas pela violência física e moral procurem ajuda e denunciem seus agressores.
Tratar destas questões dentro de um consultório de psicologia pode ser esclarecedor enquanto a mulher entenda-se como tal e construa sua autoestima apesar do ambiente hostil que a circula.
Acima de tudo, é importante colocar a mulher em um lugar de respeito, onde ela sinta-se acolhida.
A “guerra dos sexos” vai muito além de meras futilidades apresentadas na mídias.
Buscamos equidade e respeito.
Cristı̊na Almeida
CRP: 06/49407