VÍCIOS

Vícios

A palavra vício vem do latim “vitium” e significa “falha ou defeito”, ou alterar-se para enganar, corromper-se, depravar-se, estragar-se, perverter-se, piorar, tornar-se mau.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o vício é uma doença física e psicoemocional.

Geralmente procuramos uma maneira de suprir o vazio e a insatisfação que existe dentro de nós, para aliviar o nosso sofrimento.

Mas, nem sempre a apaziguação ou a solução para esse sofrimento é encontrada, por causa disso vivemos a procura de alguma coisa, que nos ajude a amenizar o sofrimento.

O sofrimento está relacionado a nossa infância

Muitas vezes este sofrimento está relacionado a nossa infância e também a nossa vida intrauterina.

Porque, em algum momento da vida, sentimos que não fomos e não somos autossuficientes e nem capazes de fazermos tudo o que precisa ser feito.

Esta insatisfação ou vazio pode ocorrer devido à ausência dos nossos pais, ou devido as críticas que recebemos no decorrer da vida, ou as situações traumáticas que vivemos, ou quando interpretamos algum fato de maneira errada ou equivocada, ou devido à ausência de limites que não nos impuseram desde a infância, ou vários outros fatores que interferem na nossa vida.

Em resumo, temos muita dificuldade em lidar com as nossas frustrações e sempre estamos em busca do prazer e fazemos tudo para alcança-lo a qualquer custo.

Fazemos isso para compensar ou suprir o vazio que habita dentro de cada um de nós.

Recurso emocional, que flagela a inteligência emocional

Devido, ao pouco recurso emocional, que flagela a inteligência emocional e não ajuda a lidar com nossas emoções, os vícios tomam conta da humanidade.

Por isso, a necessidade de suprir este vazio faz com que as pessoas se viciem, para de certa forma virem a fugir do seu próprio mundo interior.

Portanto, a falta de consciência faz com que as pessoas sejam levadas pelos seus impulsos, e por falta de amadurecimento e consciência psíquica elas partem para os vícios. Pois, acreditam que o vício suprirá as suas necessidades.

De tal forma que, a carência afetiva e emocional, passa a ser dominada por diversos sintomas como a ansiedade, ou seja, o medo de não ser feliz, a raiva, o ódio de si mesmo e do mundo, o sentimento de culpa, a solidão, a tristeza e outros.

Esses sentimentos provocam inúmeras reações nas pessoas viciadas, devido à falta de consciência e a elaboração interna.

Fatores que levam uma pessoa a desenvolver algum tipo de vício

Vários fatores levam uma pessoa a desenvolver algum tipo de vício, por exemplo:

  • A baixa autoestima provocada pelo desequilíbrio emocional;
  • Busca constante de fama;
  • Insegurança;
  • Necessidade de ser aceito;
  • Sentimento de rejeição, por não terem sido aceitas;
  • Status e etc.

Como resultado, essas pessoas para suprir a necessidade de serem aceitas, fazem uso de alguma droga para aliviar a insegurança que habita entre delas e desenvolvem vícios apenas para se sentirem aceitas ou “amadas”.

Tem muitas pessoas que tiveram pais viciados e ao se tornarem adultas, passaram a ter aversão a comportamentos compulsivos ou pessoas viciadas. Mas, tem outras pessoas que ficaram viciadas, assim como os seus pais.

Assim sendo, temos que agir, porque o vício não deve ser encarado como algo momentâneo, passageiro, ou ignorado. Pois, ele não some de uma hora pra outra e nem some naturalmente.

O vício, é visto como uma muleta

No começo, antes que se torne de fato habitual, o vício, é visto como uma muleta.

Ou seja, em situação de ansiedade, estresse ou nervosismo, como previamente citado, a vontade de fumar aparece, vontade inconsciente que, de tão pequena e de fácil acesso, será saciada.

Se torna um hábito, quando esse tipo manifestação, é “automatizada”. Por que automatizada? Quando o hábito já está automático, o vício já se instaurou.

Você deixa de perceber que está ansioso, você fuma. Demora a perceber o estresse, mas fuma. E quando nervoso, nem percebe, mas já está fumando.

Desse modo, todos os outros vícios agem. Não importa quais, mas sempre se manifestam imperceptivelmente em comportamentos habituais para quem os possuí.

Semelhantemente aos vícios ilícitos, podemos também falar dos vícios lícitos, como: o vício em comida, que acaba funcionando como o hábito do fumo. Em outras palavras, ao invés do cigarro a comida se torna o que alivia, desde a ansiedade até a tristeza, essa válvula de escape, passa a ser os alimentos.

A princípio, o vício descreve um hábito que nós não temos controle sobre ele e pode ser instaurado por diversas coisas, como: a comida, as drogas, o vídeo game e etc.

Por exemplo, um fumante se depara com uma situação de estresse durante o dia. Quase como um reflexo, a vontade de fumar surge.

O vício não só se camufla, como se dispõe como apoio a esse tipo de situação.

Abandonando x os vícios

Antes de tudo, é necessário dizer que largar os vícios é uma tarefa complicada. Cada um deles mexe com a nossa mente de maneira distinta, proporcionam um prazer distinto para cada pessoa e tem uma origem diferente para cada um.

Podem ser fugas, um modo de sentir-se bem, algo que te desvia o foco e te alivia por isso. Tudo depende de qual o vício, de como ele surge e o porquê ele permanece, mas uma coisa é certa, todo e qualquer tipo de vício te desequilibra.

São hábitos que se espalham pela sua rotina, que te fazem buscar espaços para serem encaixados nela. É agressivo, invasivo, te faz dependente.

Se acomoda e nos tornam cômodos, quando o vício chega nesse nível de conforto, torna-se cada vez mais difícil de desafia-lo a sair.

Desapegar e abandonar, é sempre uma luta interna progressiva, a cada passo que se dá mais parece que não temos forças para vencê-lo.

Além disso, torna-se mais difícil resistir a ele.

A vontade de saciar aquele desejo é persuasiva, sedutora, nos faz questionar se tem tanto problema beber aquilo, fumar aquilo outro e no momento que cedemos, de novo o controle parece não existir.

Tratamento para combater os vícios

O psicoterapêutico é imprescindível, principalmente para a pessoa viciada e com comportamentos compulsivos.

Desde já, é importante dizer que existem diversos métodos para o controle de vício. A psicoterapia funciona como um desses, mas não só ela será a fonte de ajuda.

É necessário entender que para abandonar um vício, a vontade de abandona-lo precisa existir. Pois, a dependência dói, e o processo de desmame do vício também.

Por isso, é preciso muito apoio emocional e psicológico durante esse período, juntamente com muita força de vontade para seguir o tratamento e se possível, o afastamento de pessoas e ambientes que o faça consumir o que vicia.

O processo é uma batalha intensa sua, contra você mesmo, ao decidir largar os vícios, você decide mudar sua vida e mudanças causam estranheza, provocam medo, e se tratando de vício mexem com o físico, o emocional e o psicológico, por essa razão, entenda que a dor do processo nada mais é do que a dor do caminho até esse desmame.

Saiba que, você não estará enfrentando algo novo, estará enfrentando algo antigo que o vício mascarou.

Por isso, entenda que a sua necessidade é diferente da necessidade do outro e o tratamento para as pessoas viciadas deve ocorrer de forma individualizada e humanizada.

Pois, o vício adentra na rotina aos poucos, de forma imperceptível, sorrateira, entra se camuflando em várias situações, e acaba tornando-se o melhor amigo dos “gatilhos”, que estão sendo citados com muita frequência.

Cristı̊na Almeida

CRP: 06/49407

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Dra. Cristı̊na Almeida

CRP: 06/49407

Há mais de 30 anos atuo ativamente como psicóloga na área clínica, sou psicanalista, especialista em transtornos alimentares, coach e credenciada: